Coaching de Viagem - Do que se trata?

Rabiscos

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Vida Campeira

Os patos grunhiam no charco sem parar
enquanto o orvalho gelado cobria a grama.
O cheiro de terra molhada rescendia no ar
e a estrada de chão, apesar do ralo chuvisco
estava virada em pura lama.
No meio daquele açude via-se lodo.
Um ou outro urubu descia em vôo razante.
Alguns peixes agonizavam entre os juncos
e formigas saúvas imiscuíam-se pela relva a rodo.
O gado se arrastava lento,
mugindo, seguindo o grito do tropeiro,
empurrado, tocado campanha adentro.
Recém-nascida, a manhã ainda escura
levantara com uma bruma intransponível e densa.
A agitação dos bichos, o horizonte encoberto,
provocavam uma sensação de angústia intensa.
De repente, como num passe de mágica,
o sol arrebentou a vastidão daquele branco véu
e o céu se deixou acontecer pintado de azul.
Um calor gostoso invadiu o pasto!
Flores e mais flores surgiram por toda a parte!
O rebanho se acalmou deitado naquele campo
imenso, verdejante, quase todo arado.
Os patos em fila davam uma volta fora d’água.
Lá na cerca, pássaros pousavam no arame farpado.

Parte integrante do Livro de poesias, O Vento da Aurora
Autor: Helena Beatriz Juenemann- Editora: AGE - 2005 Porto Alegre/RS

Fazendo a Mala

Mala aberta no meio do quarto.
Devagar, sem pressa, pouco a pouco
tirava do armário as peças de roupa.
Par por par os sapatos ajeitados
por entre os cantos num espaço oco.
Em dúvida, separou o casaco de couro.
No fundo, esticadas, as calças compridas.
Levaria bijuterias em vez do anel de ouro.
Foi à janela, sentiu o ar primaveril.
Achou melhor colocar um vestido mais leve.
Não era comum este calor no final de abril.
Sem cuidado puxou o blusão novo da mala.
De repente,
pegou a vacina e o passaporte na mesa da sala.
Abriu e fechou o jornal com rapidez.
Doeu a cabeça, enjôo no estômago e acidez.
Foi até a cozinha à procura de marcela.
Comeu bolo, biscoito, chocolate.
Chorou culpada, arrependida.
Para não perder a forma, a bela plástica,
voltou ao quarto procurando a malha de ginástica
Pensou.Tossiu. Coçou o rosto.
Ainda tinha dúvidas. Agora o corpo todo doía.
Tirou o vestido. Atirou no meio da roupa, o blusão.
Fechou a mala.
Suspirou.

Partir ...
Sempre lhe deu medo!

Parte integrante do Livro de poesias, O Vento da Aurora
Autor: Helena Beatriz Juenemann- Editora: AGE - 2005
Porto Alegre/RS


Velejando

O céu em lápis-lazuli pleno de luz
Nas róseas manhãs cheirando a pessegueiro
Sorri sempre ao veleiro que o vento embala
E desliza sereno no lago, ligeiro!

Escota presa, vela branca enfurnada
Lá vai ele cantando a pujança da aurora.
Na linguagem calada escrita com sinais
Se avista uma terra mais linda que outrora!

Embora haja ondas fortes, encorpadas
Confiança, segura firme este leme.
Se, por ventura o céu for de briga e procela

Te aquieta, pequeno amigo, não temas.
Ir à deriva faz parte também do dia
Que a noite com um palio de estrelas sela!

Parte integrante do Livro de poesias, O Vento da Aurora
Autor: Helena Beatriz Juenemann- Editora: AGE - 2005
Porto Alegre/RS


Final de Agosto

Um ipê roxo aqui, um ipê roxo ali.
Não distante floriu o pessegueiro.

Mais adiante cachopas de azaléias.

A princípio, nem notei.
Depois, estranhei ...

Não era nem setembro!
A cidade estava toda cor de rosa!

Parte integrante do Livro de poesias, O Vento da Aurora
Autor: Helena Beatriz Juenemann- Editora: AGE - 2005
Porto Alegre/RS


Propaganda Ilícita

Um sol radiante trouxe o calor gostoso
e os galhos ressequidos, retorcidos
árvores esquálidas, desiludidas
ruas sujas, violentas, empoeiradas,
de repente, me sorriram em flor!

Uma felicidade invadiu a atmosfera!
Não havia dúvidas da propaganda ilícita.
Distribuir sonhos e esperança ainda no inverno
só poderia ser coisa desta tal de Primavera!

Parte integrante do Livro de poesias, O Vento da Aurora
Autor: Helena Beatriz Juenemann- Editora: AGE - 2005
Porto Alegre/RS

Manhãs de Domingo

As manhãs de domingo
não lembro de tê-las visto
e por mais que insista
com esta memória,
ela me deixa confusa, às avessas.

As manhãs de domingo
nunca as pude saudar,
pois, bem aconchegada,
estive sempre dormindo.

Gostosas são as manhãs de domingo!

Parte integrante do Livro de poesias, O Vento da Aurora
Autor: Helena Beatriz Juenemann- Editora: AGE - 2005
Porto Alegre/RS

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